DIRETO DE PORTUGAL
Alberto Helder foi formador de um vasto número de árbitros lisboetas
09/FEV/2010
Em Portugal a arbitragem feminina tem tratamento diferenciado no seio da Federação Portuguesa de Futebol, pois não tem sido considerada como deve e mandam as boas e elementares regras democráticas. Vem isto a propósito de um caso real que passo a descrever:
Em 1988, quando o meu bom amigo Engº José Manuel Rosa Oliveira Henriques de Oliveira (nasceu em 19.08.1962), militava no quadro da 3ª categoria nacional, em representação da Associação de Futebol de Viseu, levou consigo a Árbitra Laurinda Santos Rodrigues Lopes (nascida em 03.03.1951), para o auxiliar, como Assistente, num jogo dos campeonatos federativos e da área de formação.
Acontece que ela actuou e de forma superior, mas veio logo o douto Conselho de Arbitragem, na altura presidido por José António Pinto de Sousa, escreveu a dizer que assim não podia ser, que era proibido, em carta assinada pelo então Chefe de Serviços.
Nesta oportunidade, devo dizer que esta pessoa era reconhecida por toda a gente como insociável, conflituosa e prepotente face ao cargo que ocupava e às facilidades que lhe foram conferida, a confiança que foi conquistando nos elementos dirigentes e sobretudo pela gritante falta de sensibilidade que sempre demonstrou, principalmente a quem não era do seu circulo de amigos, a sua presença no seio daquele órgão federativo foi prejudicial para o desenvolvimento do sector.
Entendo até, que, se a Justiça tem chegado muito mais cedo e não em 2004, logo se veria onde encontrar os verdadeiros aios do dito sistema nefasto e repugnante que vigorava já há muito, método que visava prejudicar e beneficiar alguns Árbitros nas suas classificações, isto contra as regras legalmente estabelecidas.
Quanto à arbitragem feminina vi, ouvi e disseram-me tanta coisa negativa de pessoas ditas responsáveis. Destaco duas situações que me desgostaram sobremaneira:
No encerramento de um curso de candidatos realizado em Lisboa em que a hoje veterana Maria Gabriela Quaresma (Gabi), recebeu o seu diploma do então presidente da Federação, o falecido Dr. António Marques, que proferiu para um vasto auditório (onde me encontrava) e de viva voz, esta frase lapidar: As mulheres na arbitragem não têm futuro…
A outra, contaram-me:
Foi passada no Plenário do Conselho de Arbitragem federativo onde a proposta de indicar à FIFA as primeiras Árbitras de futebol de 11, isto em 2002, estava na mesa e recebeu o mesmo número de votos quer a favor, quer contra. O seu Presidente, José António Pinto de Sousa, um defensor (?!) de que os direitos eram iguais, tanto para as mulheres como para os homens - era isso que dizia a elas nos cursos de aperfeiçoamento – tinha que desempatar com a chamada opção de qualidade e fê-lo, votando contra…
E ainda não foi nesse ano que a Berta Tavares e Sandra Braz foram as primeiras Árbitras internacionais portuguesas!
Hoje como ontem, a intelectualidade (para não chamar outra coisa) é a mesma! Coisas...
Até para o próximo mês.
Aquele abraço do Alberto Helder.
Blog do Alberto Helder
-------------- Nota do Editor: Alberto Helder Henrique dos Santos foi árbitro de futebol e de futsal em Portugal na década de 70. Como dirigente, atuou como formador e observador da Federação Portuguesa de Futebol e como chefe de serviços na APAF (Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol). Hoje, desempenha o cargo de membro do Conselho de Arbitragem da Associação de Futebol de Lisboa (criada em 23/9/1910)
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