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Set 06, 2010 - 11:33 AM  
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RJ FIFA - Hilton Moutinho Rodrigues

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Respira arbitragem desde que nasceu. Já atuou nas finais estaduais do Paraná, do Rio de Janeiro e de Mina Gerais. Final do Torneio Rio-São Paulo, da Copa do Brasil e da Copa Mercosul também já tiveram o carioca Hilton Moutinho como árbitro assistente, que conta, nesta matéria, como foi sua trajetória até a FIFA e dá importantes dicas para os assistentes que visitam o Cartão Vermelho.

[Perfil Exclusivo Cartão Vermelho]

Hilton Rodrigues Moutinho (RJ) Carioca, 34 anos (30.12.68), representante comercial, pai de 2 filhos e morador do Rio de Janeiro, Moutinho é árbitro assistente há 15 anos.

Moutinho conviveu desde cedo com arbitragem. Já aos 6 anos de idade, era comum ver Arnaldo Cezar Coelho, José Roberto Wright, Djalma de Carvalho, Walquir Pimentel, Reginaldo Matias, Ivan Lucas ou Rui Celani na sua sala, atrapalhando, por vezes, suas brincadeiras e corridas pela casa. "Meu pai foi árbitro por muito tempo e era comum encontrar essas figuras lá em casa", se lembra. (José Pereira Rodrigues, pai de Moutinho, pertenceu ao quadro da CBF)

É sabido que grandes árbitros já tiveram a oportunidade de andar de camburão após a saída de um jogo tumultuado. Moutinho, um árbitro precoce, fez isto aos 7 anos de idade. "Fui ver meu pai bandeirar uma final de juniores e tivemos que sair do estádio escoltados pela polícia", ri da situação que o deixara com o coração na mão.

Depois do passeio, Moutinho tentou evitar sua vocação para a arbitragem, tanto que foi tentar a sorte como jogador de futebol. "Joguei nas categorias de base do América F.C., o técnico era Danilo Alvim", diz.

Aos 19 anos, Moutinho desistiu da carreira de jogador e foi trabalhar na Associação de Árbitros do Estado do Rio de Janeiro que era presidida por Arnaldo Cezar Coelho. "Este foi meu primeiro emprego e Arnaldo foi meu primeiro chefe", explica orgulhoso. "Uma das minhas tarefas na Associação era organizar as inscrições do Curso de Arbitragem daquele ano e não pude deixar de fazer a minha própria inscrição", completa.

No ano seguinte, em 1988, o árbitro Hilton Moutinho fez sua estréia e em 1992, Moutinho já estava apitando uma final da categoria infantil com Maracanã lotado. O jogo foi Flamengo 4 x 1 Fluminense, preliminar da primeira partida da final do Brasileirão daquele ano, Flamengo 3 x 0 Botafogo, com José Roberto Wright no apito. "A emoção foi grande, foi muito legal", se recorda daquele grande momento.

Sua primeira partida na Série A do Campeonato Carioca aconteceu em 1994, quando comandou o jogo Madureira x Bonsucesso. Neste mesmo ano, Moutinho entrou para o quadro de árbitros da CBF, ainda como árbitro, mas era comum vê-lo bandeirando grandes jogos.

Em 1996, sua carreira deu uma guinada. "E não foi de 360 graus como dizem alguns", comenta com bom humor. Moutinho recebera um comunicado extra-oficial do então presidente da Comissão de Arbitragem. Neste comunicado, Antônio de Pádua dizia que achava melhor Moutinho ficar especializado como árbitro assistente, pois desta forma atuaria em grandes clássicos. Pronto. Moutinho estava agora entre a cruz e a espada. Com 28 anos e com muita vontade de apitar, deveria decidir seu futuro. "Ouvi muitos conselhos do meu pai e do Djalma de Carvalho, meu segundo pai na arbitragem", diz. A opinião de Cláudio Vinícius Cerdeira também pesou bastante na decisão de Moutinho. "Cerdeira falou que eu já tinha provado que era um bom assistente e como árbitro, ainda teria que provar", relembra.

Assim, devidamente especializado como árbitro assistente, atuou em sua primeira final profissional. No Maracanã, foi assistente da primeira partida da final do Torneio Rio-São Paulo de 1998, São Paulo 2 x 3 Botafogo, com Oscar Roberto Godói no apito e Aristeu Leonardo Tavares na assistência. O ano de 1998 foi realmente espetacular para Moutinho. Trabalhou em duas finais estaduais: Atlético-PR x Coritiba, com Sidrack Marinho e José Carlos Oliveira e Atlético-MG x Cruzeiro, com Cerdeira e Aristeu.

E não terminou por aí. Ainda em 1998 Moutinho recebeu o escudo da FIFA pela primeira vez e o estreou no jogo Peñarol x Bolivar, no estádio Rivera no Uruguai, com o árbitro Oscar Roberto Godói e Jorge Travassos atuando como assistente. Ainda em 1998, Moutinho também debutou em jogos de seleções nacionais. Trabalhou com o juiz francês Alain Sars no amistoso Brasil 0 x 1 Argentina, gol que Cláudio Lopes fez calar mais de 100.000 pessoas no Maracanã.

De lá para cá trabalhou no jogo de ida da final da Copa Mercosul de 1998, Cruzeiro 2 x 1 Palmeiras com Cerdeira no apito e Aristeu na bandeira, na final do Campeonato Carioca de 2001, Americano 1 x 3 Fluminense com o comando de Edílson Soares da Silva e assistência de Manoel do Couto Ferreira Pires, e foi o assistente dos dois jogos das finais da Copa do Brasil de 2002 entre Corinthians e Brasiliense. No Morumbi, Corinthians 1 x 1 Brasiliense com o juiz Carlos Eugênio Simon e o assistente Milton Otaviano dos Santos. No segundo jogo, Brasiliense 1 x 1 Corinthians, no Serejão, com Wilson Souza de Mendonça e Aristeu Leonardo Tavares.

Porém, Moutinho considera que seu jogo inesquecível aconteceu em 1994. O jogo foi Paraná 1 x 4 Palmeiras, no Pinheirão, com o árbitro Léo Feldman. Naquele time do Palestra Itália jogavam feras como Rivaldo, Roberto Carlos e Edmundo, e Moutinho não fez por menos. "O jogo foi ótimo e acertei nos dois lances cruciais do jogo", comemorou.

Quando não está trabalhando, Moutinho gosta de andar de bicicleta na orla, ir ao cinema, ler um bom livro e jogar um futebol com os amigos. Mas quando se fala de trabalho, sua maior alegria foi entrar pro quadro nacional e receber um recado especial de Joseph Blatter "Foi quando participava da Copa das Confederações de 2001, na Coréia", explica. Neste dia Blatter reuniu todos os árbitros da competição num grande jantar e destacou que a arbitragem seria muito importante. Depois, parabenizou cada árbitro e árbitro assistente. "Num bom português, Blatter disse: Parabéns por estar aqui e esperamos que você realize um bom trabalho", conta sobre o seu dia mais emocionante.

Moutinho já participou de um Campeonato Sul-americano Sub 20 (em 1999, no Uruguai) e de um torneio pré-olímpico (em 2000, em Curitiba). Diz que ainda tem muitos objetivos pra conquistar. "Ainda quero participar de uma Copa América, uma Olimpíada e uma Copa do Mundo", revela.

No meio da arbitragem desde os 6 anos de idade, Moutinho tem muita estória pra contar. Aproveitando o espaço, ele dá algumas dicas para os assistentes novatos. "Façam movimentos suaves e não masquem chicletes", aconselha. "Na jogada de impedimento, tenham calma e esperem a definição do lance. Na saída de bola, trabalhem em sincronismo com o árbitro", complementa. E para fechar a aula de hoje: "O assistente não pode ser omisso, tem que participar", ensina.

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