 Wagner Tardelli de Azevedo (FIFA-RJ) |
Carioca, 40 anos (23.06.1964), 1.71 m, 72 kg, Auxiliar de Cartório, casado, pai de 2 filhos e morador do Rio de Janeiro, Tardelli é árbitro de futebol há 16 anos.
Na época que cursava o faculdade de Educação Física, Tardelli fez o curso de arbitragem apenas por achar que seria um bom complemento para sua carreira de professor. "Fiz para complementar o currículo", se lembra. Ele só não esperava que aquele 'complemento' se tornasse tão importante na sua vida. Hoje, Tardelli faz parte do seleto grupo de árbitros da FIFA.
 Lembrança do velho bigode... |
Sua primeira partida foi logo um clássico, um Fla x Flu da categoria Mirim, em 1987. No ano seguinte já estava apitando a final desta mesma categoria, Fla x Supergol. "Neste jogo o Flamengo foi tri-campeão mirim", comenta.
Quatro anos mais tarde, em 1992, Tardelli comandou sua primeira partida na Série A do Campeonato Carioca. O jogo foi Botafogo x Itaperuna, em São Januário. Já em 1993, Tardelli passou a fazer parte do quadro nacional e no mesmo ano fez sua estréia na Série C do Campeonato Brasileiro, uma partida entre Goiânia e Gi-Paraná. A estréia na Série B veio dois anos mais tarde, em 1995, com o jogo Botafogo de Ribeirão Preto x Payssandu. E finalmente, em 1996, fez seu primeiro jogo na Série A do Brasileirão, quando o Palmeiras do técnico Vanderley Luxemburgo jogou contra o ABC-RN, no Parque Antártica.
 Tardelli botando ordem na casa! |
A partir daí apitou vários jogos importantes. Em 1998, Tardelli comandou sua primeira final nacional, a decisão da Série B do Campeonato Brasileiro. A partida foi Botafogo-RP 5 x 1 Desportiva, no Santa Cruz (ao mesmo tempo Jorge Fernando Rabello apitava Gama 3 x 0 Londrina, no Bezerrão). No ano seguinte, em 1999, Tardelli foi o juiz de um jogo marcante. Vasco da Gama 2 x 0 Flamengo, válido pela final da Taça Guanabara. "Neste jogo o Edmundo fez até chover. Jogou muito e marcou 2 gols", se recorda daquela tarde chuvosa que o Animal (como é carinhosamente chamado pela torcida vascaína) retornava ao clube depois de longa passagem pelo Palmeiras.
 Cartão Vermelho no Atle-Tiba. Brasileirão 2003 |
Depois de 13 anos como árbitro de futebol, o ano de 2000 lhe trouxe a maior alegria de sua carreira. "Fiquei muito feliz quando entrei pro quadro da FIFA", diz orgulhoso. Mas sua estréia com o novo escudo não foram só sorrisos, uma cena inusitada marcou esse jogo. Foi uma partida do Campeonato Carioca de 2001, Volta Redonda 2 x 1 Fluminense. "Magno Alves (que jogava no Fluminense) num lance rápido se trombou comigo e voou tudo: moeda, apito, cartões e lógico, meu novo escudo", sorri do lance que o deixou muito constrangido na época. "Pronto. Estava batizado!", complementa com bom humor. Já o primeiro jogo entre seleções nacionais comandado por Tardelli foi o último amistoso da seleção brasileira antes da Copa de 2002, Brasil 6 x 0 Islândia.
Como em 1998, apitou outras duas decisões da Série B do Campeonato Brasileiro. Em 2001, Tardelli foi o juiz de Payssandu 4 x 1 Avaí, no Leônidas de Castro (ao mesmo tempo Alfredo dos Santos Loebeling apitava Figueirense 1 x 0 Caxias, no Orlando Scarpelli) e em 2002, Tardelli comandou o primeiro jogo da final, Fortaleza 2 x 0 Criciúma, no Castelão. Complementando a lista, foi o árbitro de vários clássicos cariocas, de um Atlético-MG x Cruzeiro em 2002 pela copa Sul-Minas e, recentemente, do Gre-nal no Campeonato Brasileiro de 2003 - "Com casa cheia", ressalta orgulhoso.
 Expulsando no eletrizante Fla-Flu da TG 2004 |
E dentre todos os seus jogos, Tardelli destaca um como inesquecível. O jogo em questão aconteceu em 2001, Universidad Católica (CHI) 2 x 0 Olímpia (PAR), sua estréia em uma competição sul-americana. "Deu um frio na barriga", sorri.
Quando não está apitando, Tardelli gosta de correr. Fora o treinamento específico, ele corre todo dia 50 minutos. "Essa corrida diária alivia o stress", ensina.
Tardelli ainda tem muitos planos. "Meu objetivo é apitar uma Copa do Mundo", revela. Com apenas 39 anos, ele tem ainda uma chance: a Copa de 2006, na Alemanha, quando estará com 42 anos.
Enquanto a Copa não vem, Tardelli passa uma mensagem aos jovens que sonham em ser árbitros de futebol. "Primeiro você deve se identificar com a arbitragem e depois, você deve se dedicar, muito". Faça dessa receita o seu o sucesso. Boa sorte!

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Por Christian Ducharme.
Entrevista realizada em 2003. Última atualização: Outubro/2004.