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SP FIFA - Silvia Regina de Oliveira

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A loira de cabelos soltos, maquiagem leve, 1,72 m, 60 kg, fez sua melhor temporada em 2003. Se não bastasse as boas atuações nos jogos do Campeonato Brasileiro da Série A, Silvia Regina entrou pra história. Foi a primeira mulher a apitar uma partida oficial da sul-americana, na categoria masculina.

[Elas também entendem de futebol]


Silvia Regina de Oliveira (SP)
Altura: 1,72 m
Peso: 60 kg
Quadril: 92 cm
Cintura: 63 cm
Busto: 88 cm
Foto: Rafael Arbex

Paulista, 41 anos (19.04.64), professora formada pela FEFISA (Faculdade de Educação Física de Santo André), divorciada e moradora de Santo André, Silvia Regina é árbitra de futebol há 23 anos.

Ela dedicou muitos anos de sua vida ao futebol. "Não que sonhasse com um apito - queria mais era um microfone". "Desde os meus 15 anos sou louca por futebol. Meu pai é juventino fanático, tem recortes de tudo quanto é matéria que sai do Juventus. E me levava sempre que podia à Rua Javari. Eu sonhava ser jornalista esportiva. Tanto que, para falar do assunto, achava que devia conhecer as regras a fundo. E fui fazer um curso de arbitragem."

Aos 16 anos teve sua primeira experiência como árbitra. "Na época, só havia duas mulheres que apitavam em São Paulo e elas me convidaram para que formássemos um trio. Não parei mais."


Os xingamentos fazem sua mãe se fingir de surda durante 90 minutos

Dona Edna, mãe de Silvia Regina, bem que tentou dissuadi-la da idéia maluca de ser “juíza de futebol”. “Queria que ela aprendesse a fazer comida e arrumasse um bom casamento”, lembra. “Não acreditava que isso ia ter futuro".

Depois de jogos amadores, interempresas, de estudantes e jogos da Secretaria Estadual de Juventude, Esporte e Lazer, Silvia só conseguiu ser reconhecida pela FPF em 1997. "Oficialmente meu primeiro campeonato foi a Paulistana, o campeonato feminino de 1997, do qual até a Milene Domingues (ex-mulher de Ronaldo "Fenômeno") participou. Depois, passei a árbitra da CBF e, em seguida, da Fifa."

Jogo de homem, oficial, o primeiro foi em 2000 - data da primeira discriminação. "Foi engraçado. Um jogo da B-1. Jabaquara e Comercial de Registro. Não me lembro quanto acabou, mas não sai da memória um corinho que os torcedores faziam para desfazer dos meus assistentes: "É, é, é, bandeirinha de muié."


Comentando arbitragem na TV Cultura

Pouco tempo depois ela estaria quase do outro lado do mundo, exercendo a mesma função. "Trabalhei no Mundial Universitário da China, em Pequim. Foi uma experiência e tanto. Queria trabalhar mais em jogos internacionais" (mais tarde seu desejo seria, em parte, realizado).

A estréia de Silvia Regina na Série A do Campeonato Brasileiro foi em 30.06.2003, num domingo de futebol que ganhou charme e beleza. Foi uma partida histórica. Pela primeira vez, um jogo da Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro contou com um trio de arbitragem feminino. A vitória do São Paulo sobre o Guarani por 1 a 0 (gol de Fábio Simplício), no Estádio Brinco de Ouro, marcou com sucesso a estréia das mulheres com apito e bandeirinhas. Suas auxiliares foram Ana Paula de Oliveira e Aline Lambert, que tiveram atuação tranqüila e acertaram os lances mais importantes do jogo.

Ela divide com as companheiras o sucesso de suas atuações e sugere uma experiência para a arbitragem nacional: fixar os trios para aumentar o entrosamento. "Não importa se você trabalha só com homens, só com mulheres ou com grupos mistos, mas o conhecimento das pessoas ajuda na qualidade do trabalho", conclui.

O ano de 2003 marcou o auge de Silvia Regina, ano que obteve uma grande conquista. Em 01.10.2003, ela, que já dirigiu 18 jogos do Campeonato Brasileiro da Série A (8 em 2003, 3 em 2004 e 7 em 2005), se transformou na primeira mulher a apitar uma partida oficial da CONMEBOL, na categoria masculina. Ela comandou Santos 1 x 1 São Caetano, na Vila Belmiro, num jogo internacional válido pela Copa Sul-Americana. Seus auxiliares foram Valter José dos Reis e Ednílson Corona.

Segundo o porta-voz da CSF, Néstor Benítez, a designação de Silvia Regina obedeceu ao desejo da Confederação em estimular a arbitragem feminina no futebol sul-americano.

DUPLA ARBITRAGEM
"Além do espaço, a responsabilidade pelas decisões também é dividida". Silvia Regina.

Consciente dos limites comuns para mulheres que trabalham em ambientes dominados por homens, Silvia Regina não inventa subterfúgios para amenizar o preconceito: "Existe (preconceito) e muito. Mas eu nem ligo. Deixo entrar por um ouvido e sair pelo outro", ensina.

Críticas machistas também são comuns. Em 27.02.2005, Silvia Regina foi alvo da bronca do técnico do Corinthians Tite, que questionou sua condição para apitar um jogo do porte de São Paulo e Corinthians.


Treinamento físico na academia

"Sei muito bem encarar essas críticas. É normal. Fiz meu trabalho da melhor maneira possível e, no final, fui parabenizada pelo presidente da FPF (Marco Polo del Nero)", resumiu a árbitra. "São quase vinte anos dedicados à arbitragem. Coisa que eu gosto muito de fazer. E quero continuar fazendo."

Silvia Regina evitou entrar na polêmica. Em nenhum momento citou o nome de Tite, mas retrucou com sutileza e classe. "Sei da minha capacidade e a forma de reconhecimento veio com a minha foto na capa do anuário da Fifa. Ganhei um grande presente", contou.


Buscando seu lugar ao sol

Silvia Regina é uma mulher que se cuida. Passa as manhãs dando aulas de natação e ginástica localizada. As tardes são dedicadas ao cuidado pessoal com a própria forma e ao preparo físico. Boa parte de seus rendimentos fica comprometida em razão da vaidade.

"Gasto rios de dinheiro com produtos para o cabelo, outro monte com cremes e principalmente protetores solares, que são fundamentais para o meu trabalho", revela. Dica para manter as medidas? "Manda as meninas apitarem um joguinho para verem o que é bom", brinca.

Para saber mais sobre o dia-a-dia da melhor árbitra brasileira em atividade, visite o fotolog http://silviaregina.nafoto.net. São centenas de fotos comentadas e postadas todo mês pela própria Silvia Regina. Viagens internacionais, passeios pelo Brasil, amigos, treinamentos e partidas oficiais. Vale a pena conferir!



Matéria Relacionada:
Entrevista da Silvia Regina no Lance! + 17 fotos

***


Por Christian Ducharme. Colaborou: Maurício Lopes. Adaptação do texto original de Wania Westphal, do Jornal da Tarde.
Matéria publicada em 2003. Última atualização: Fevereiro/2006.

Entre Aspas

"Wright, Arnaldo e outros árbitros montaram um projeto de profissionalização da categoria. Era idêntico ao dos jogadores, que se profissionalizaram. Só que o nosso até hoje nunca saiu do papel."

-- Luís Carlos Félix

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