 Djalma Beltrami na festa do Cartão Vermelho em 2005 |
Paulista, 40 anos (15.mai.1966), 1.83 m, 82 kg, Tenente-Coronel da Polícia Militar do Rio de Janeiro, 1 filho, morador do Rio de Janeiro, Djalma Beltrami é árbitro desde 1989.
Beltrami começou apitando peladas entre amigos antes mesmo de fazer o curso oficial da federação carioca, em 1989. “Já gostava de apitar peladas e um amigo me informou do curso, aí me interessei”, relembra.
Nesse mesmo ano, Beltrami, aos 23 anos de idade, iniciou sua carreira como árbitro de futebol, apitando nas categorias de base do Rio de Janeiro. A estréia com o apito foi no jogo entre Serrano e Madureira, ainda em 1989, pela categoria infantil. “Me lembro que chovia muito”. Para os mais superticiosos, eis um sinal que nada seria fácil na carreira do futuro árbitro da Fifa.
 Beltrami, Altemir, Simon, Villi e Luis Antônio - Final da Copa do Brasil 2004 |
Após alguns anos, em 1995, Beltrami estreou seu escudo da CBF, como assistente, na partida Corinthians x Juventude, válida pela Série A do Campeonato Brasileiro. Carlos Elias Pimentel, no apito, e Aristeu Leonardo Tavares, também na bandeira, completaram o trio de arbitragem.
A oportunidade estava demorando a surgir, mas o perseverante árbitro continuou trabalhando com honestidade e profissionalismo, sempre acreditando que a maré poderia mudar. Enfim, em 1997, o sol começou a brilhar para Beltrami.
E 1998 foi um grande ano para ele. Ano em que teve oportunidade para mostrar seu valor. Apitou sua primeira partida pela Série A do Campeonato Carioca, Friburguense 1 x 1 Bangu, e estreou também no comando de uma partida pela Série C do Campeonato Brasileiro, Friburguense x América.
 Djalma Beltrami em ação |
Nos anos seguintes, Beltrami trabalhou muito nas séries C e B do Brasileirão, o que lhe rendeu muita experiência e bagagem. Até que, em 2003, veio o grande dia. O dia em que ele comandou uma partida da Série A do Campeonato Brasileiro, Vitória 0x0 Guarani. “Sai de campo aplaudido”, sorri. “O jogo foi tão ruim tecnicamente que fui escolhido o melhor em campo”, completa, de forma bem-humorada.
Depois de tanto trabalho, finalmente, Beltrami podia esquecer aquela estréia, em 1989. Aquela chuva havia, enfim, havia se dissipado.
GRANDES JOGOS Vitória 0x0 Guarani Fluminense 3x4 Volta Redonda Náutico 0x1 Grêmio |
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Quando perguntado sobre seus jogos mais importantes, Beltrami destaca três partidas. Vitória 0x0 Guarani, seu jogo de estréia na Série A, pelo Brasileirão 2003. Fluminense 3x4 Volta Redonda, o primeiro jogo da decisão carioca de 2005, onde Beltrami teve uma atuação impecável. “Segundo alguns comentaristas, foi a melhor arbitragem no Maracanã dos últimos anos”, conta orgulhoso. “Considero esse jogo um divisor de águas na minha carreira, foi o jogo que me projetou de maneira muito positiva”. Não podia deixar de fora dessa lista o inesquecível Náutico 0x1 Grêmio, pela decisão da Série B do Campeonato Brasileiro de 2005. “Não era apenas um jogo de futebol”.
OS MELHORES DE 2005 Indicado pelo site Cartão Vermelho como uma das revelações da arbitragem brasileira em 2005, Beltrami foi eleito o árbitro revelação da temporada através de enquete popular. Parabéns! |
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Além de ser eleito o árbitro revelação do Brasil em 2005, Beltrami foi eleito melhor árbitro do Campeonato Carioca em 2005 e 2006, em pesquisa feita pelo Jornal dos Sports.
Prosseguindo em sua ascenção, Beltrami começou a trabalhar na Série A do Campeonato Brasileiro e chegou à elite da arbitragem no início de 2006, quando ingressou no quadro internacional.
 Beltrami com os capitães Djair (Madureira) e Romário (Vasco) |
Estreou o escudo da Fifa como assistente no jogo Estudiantes (ARG) 1x0 Independiente de Santa Fé, com o árbitro Heber Lopes e o assistente Marco Antonio Gomes. “O detalhe é que fazia mais de 8 anos que eu não bandeirava”, revela. “E me lembrei como é difícil bandeirar, por isso valorizo o trabalho dos assistentes”. A estréia como árbitro em jogo internacional aconteceu recentemente, no clássico Fluminense e Botafogo, no Maracanã, pela Copa Sul-americana. Aristeu e Moutinho foram seus auxiliares.
TRABALHO DURO “Nunca levei tapinha nas costas. Sempre trabalhei muito e o que me faz mais feliz é apitar”. Beltrami. |
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No mundo da arbitragem há tanto tempo, Beltrami destaca as grandes amizades que cultivou ao logo dos anos, como, por exemplo, de Aristeu Tavares. “Admiro Aristeu por ele ser um grande exemplo dentro da arbitragem. Eu, que conheço sua carreira desde o início, o considero entre os cinco melhores assistentes do mundo”, revela.
Além de terem formado na mesma turma, Beltrami e Aristeu têm em comum a carreira militar na Polícia Militar do Rio de Janeiro, que combina muito bem com a arbitragem. “Ambas as profissões requerem autoridade, correção, são coercitivas e também ingratas, por trazerem alguns dissabores. Posso garantir que a carreira militar sempre me ajudou em campo”.
AMBIÇÃO “Continuo sonhando com algo mais”. Beltrami. |
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No alto de sua experiência, Beltrami faz uma reflexão de sua vitoriosa carreira. “O que me deixa mais contente é as pessoas saberem que quando eu erro no campo de jogo, eu apenas errei, pois nunca fui acusado de nada”, conta, satisfeito. “Também me dá muito orgulho ouvir as crianças gritarem meu nome na rua de maneira carinhosa quando me vêem”.
Quando não está nos gramados de futebol, Beltrami gosta de ver TV, principalmente programas relacionados a esportes, não importa a modalidade. “Adoro assistir, por exemplo, futebol, basquete, volley e automobilismo”, conta.
Para quem está começando, Beltrami deixa uma mensagem mais que especial. “Seja perseverante naquilo que quer. Sempre siga o caminho da correção e tenha fé, que Deus auxilia a todos que nele crê”. Agora é com você leitor!
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Por Christian Ducharme. Colaborou: Maurício Lopes.
Entrevista realizada em 2006. Última atualização: Setembro/2006.