 Simon iniciando uma partida |
Gaúcho de Braga, 43 anos (03.09.65), jornalista formado em 1991 pela PUC-RS, Pós-Graduado em Ciência do Esporte (especialização em Futebol), pai de quatro filhos e morador de Porto Alegre, Simon é árbitro de futebol há 25 anos.
Simon começou a carreira de árbitro apitando uma final de um torneio colegial, aos 18 anos. "Neste torneio, o árbitro foi expulso após a semifinal, que acabou em briga generalizada em função de um equívoco dele. Durante uma reunião entre os alunos ficou decidido que eu apitaria a final. Gostei da idéia fui pra casa, fiz os cartões, peguei um apito e fui pro jogo. O jogo acabou sem briga, sem reclamação, sem nada", garante.
Foi chamado pelo professor de Educação Física e árbitro da Federação Gaúcha, Luiz Cunha Martins, para fazer cursos de arbitragem. Começou a apitar em campeonatos amadores da capital e, em 1990, tornou-se profissional. Dois anos mais tarde, em 1992, estreou na 1ª Divisão do Gauchão e em 1993 entrou para o quadro da CBF, esteando no jogo Paraná x Náutico. No ano de 1995, o nome de Simon já figurava na lista dos aspirantes ao quadro da Fifa, onde conseguiria sua vaga dois anos depois, em 1997.
 Simon e o presidente Lula |
Sua estréia na Libertadores foi nesse mesmo ano, em 1997. O jogo foi Cerro Porteño x Bolívar no Defensores Del Chaco, com o Cerdeira (assistente 1) e Jorge Paulo (assistente 2). "Levei o jogo sem nenhum cartão, o que foi surpreendente", afirma. A partir daí atuou em diversas partidas deste torneio e também da Copa Mercosul, disputada entre nos anos de 1998 e 2001.
Em 1999, Simon começou a trabalhar em campeonatos de seleções nacionais. Foi ao Mundial Sub-20 daquele ano para dirigir México x Irlanda, Austrália x México e Espanha x EUA. No ano seguinte, foi às Olimpíadas de Sidney e comandou EUA x Rep. Tcheca, Austrália x Nigéria e Espanha x Itália.
OS MELHORES DE 2003 Indicado pelo site Cartão Vermelho como um dos onze melhores árbitros brasileiros em 2003, Simon foi eleito melhor árbitro da temporada através de enquete popular. Parabéns! |
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No Campeonato Brasileiro, Simon manteve uma incrível regularidade nas finais. De 1998 a 2002 trabalhou em pelo menos um dos jogos decisivos (a partir de 2003 o Brasileirão passou a ser disputado por pontos corridos). Apitou a finalíssima dos Brasileiros de 1998 (Corinthians 2 x 0 Cruzeiro), 1999 (Corinthians 0 x 0 Atlético-MG), 2001 (São Caetano 0 x 1 Atlético-PR) e 2002 (Corinthians 2 x 3 Santos). Em 2000, fez o 1º jogo da final, São Caetano 1 x 1 Vasco da Gama, no Parque Antártica (a decisão daquele ano foi dirigida por Márcio Rezende Freitas - Vasco 3 x 1 São Caetano, no Maracanã). Na Copa do Brasil, Simon também tem constante presença em finais. O gaúcho apitou, em 2000, Cruzeiro 2 x 1 São Paulo, no Mineirão. Em 2003, Flamengo 1 x 1 Cruzeiro e, em 2004, Flamengo 0 x 2 Santo André, ambos no Maracanã. Para completar a lista de jogos valendo título - final da Copa dos Campeões, Palmeiras 2 x 1 Sport, no Parque Antártica.
 Simon recebendo o Troféu Cartão Vermelho |
Em 2001, Simon participou da Copa América disputada na Colômbia. Apitou os seguintes jogos: Uruguai 1 x 1 Costa Rica, Chile 0 x 2 México (quartas de final). Já em 2002, Simon dirigiu a semifinal da Copa Sul-Americana, San Lorenzo 4 x 2 Bolívar. O gaúcho também foi o árbitro da final do Mundial Interclubes de 2002, Real Madrid 2 x 0 Olímpia, em Yokohama (Japão).
A arbitragem no Mundial Interclubes segue um revezamento, alternando árbitros europeus e sul-americanos. No ano anterior, na vitória do Bayern de Munique sobre o Boca Juniors, o juiz foi o dinamarquês Kim Milton Nielsen. O último brasileiro a apitar uma decisão de Mundial Interclubes foi Márcio Rezende Freitas, que em 1996 foi o árbitro na vitória da Juventus sobre o River Plate por 1 a 0. Antes dele, apitaram José Roberto Wright, em 1990 - Milan 3 x 0 Olimpia, e Romualdo Arppi Filho, em 1984 - Independiente 1 x 0 Liverpool.
 Na Copa com Ednilson Corona e Aristeu Leonardo Tavares |
Nas eliminatórias para a Copa 2002 Simon dirigiu jogos importantes como Equador x Peru, Irã x Arábia Saudita e Jamaica x Honduras. Já a Copa do Mundo era um sonho antigo, mas garante que não tinha a pretensão de apitar a decisão do Mundial. ''Apesar de árbitro, eu também sou um torcedor brasileiro. Quero que a Seleção traga o pentacampeonato'', previa no início da Copa do Mundo.
Dentre seus jogos mais importantes, Simon relaciona os Gre-Nais (14, no total), as finais do Campeonato Brasileiro, a decisão do Mundial Interclubes em 2002 e os jogos da Copa do Mundo de 2002 e 2006. A saber: Inglaterra 1x1 Suécia e Itália 1x1 México, em 2002. Itália 2x0 Gana, Espanha 3x1 Tunísia e Alemanha 2x0 Suécia, em 2006.
Filosofia de Trabalho "O próximo jogo será sempre o mais difícil". Simon. |
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Quando perguntado sobre seus jogos inesquecíveis, Simon destaca: O 1º Gre-Nal, a estréia na Copa do Mundo (Inglaterra x Suécia) com o Jorge Paulo e o Yuri Dupanov (Bielorússia) e o Mundial Interclubes com Jorge Luis Arango (Colômbia) e Jorge Jaimes Aldave (Peru).
 Capa do livro |
E, naqueles momentos em que deixa o apito de lado, Simon gosta de gastá-los ficando com a família e brincando com os filhos. Também gosta de ler e escrever. Simon é autor do livro "Na Diagonal do Campo", que foi lançado em 2004 e já está esgotado. "Em breve estaremos lançando a segunda edição, revisada e atualizada", avisa.
Além deste livro, a arbitragem lhe proporcionou muitas outras alegrias, como conhecer o mundo e ter a convivência com árbitros e pessoas ligadas ao esporte, mas a maior delas foi seu ingresso na FIFA. E mais alegrias ainda estão reservadas para Simon...
E enquanto aguarda a confirmação para participar de mais uma Copa do Mundo, Carlos Eugênio Simon dirigiu a final do Campeonato Gaúcho (Internacional 8x1Juventude), no Beira-Rio. Seus auxiliares foram Altemir Hausmann e José Carlos Oliveira.
Para quem está começando, Simon deixa a seguinte mensagem: "Pra Vencer na arbitragem é preciso humildade, convicção e determinação. Além de estudar e preparar-se fisicamente todo dia", ensina. Para finalizar, uma última dica: "É importante sempre ouvir os mais experientes".

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Por Christian Ducharme. Colaboraram: Nei Menezes e Maurício Lopes.
Entrevista realizada em 2003. Última atualização: Abril/2008.