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Set 06, 2010 - 11:31 AM  
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RJ FIFA - Aristeu Leonardo Tavares

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Atuou em diversas finais por todo o Brasil e também em decisões internacionais, como as das Copas Mercosul e Libertadores. Eliminatórias de Copa do Mundo também não são novidades para o carioca Aristeu, que conta com exclusividade para o Cartão Vermelho sua trajetória até a FIFA e seus planos para o futuro.

[Perfil Exclusivo Cartão Vermelho]


Olho no olho com Pet

Carioca, 46 anos (17.out.1962), 1.73 m, 73 kg, Tenente-Coronel da Polícia Militar do Rio de Janeiro, pós-graduado em Política de Segurança Pública e Justiça Criminal, casado, pai de 3 filhos e morador do Rio de Janeiro, Aristeu é árbitro de futebol há 17 anos.

Ele começou a apitar pela FERJ em 1989, após ter feito um curso no mesmo ano. "Éramos um grupo de colegas no quartel (eu, Beltrami, Carlos Henrique e outros) e decidimos fazer o curso juntos". Sua primeira partida foi como assistente de seu grande amigo Jorge Solla, no jogo Campo Grande 4 x 1 Vasco da Gama. "Me lembro que Valdir era juvenil do Campo Grande e jogou muito, fez 2 gols" (mais tarde, Valdir viria a ser contratado pelo próprio Vasco).


Na entrevista ao Cartão Vermelho

Cinco anos mais tarde, em 1994, Aristeu fez sua primeira partida na Série A do Campeonato Carioca, um Flamengo e Itaperuna, com Válter Senra apitando. Ainda neste ano, entrou no quadro de árbitros da CBF e fez sua estréia no jogo Internacional x Palmeiras, desta vez Léo Feldman era o árbitro. "Neste ano estava com muita sorte", comentou explicando em seguida. "Foi nesta época que a FIFA diminuiu a idade máxima permitida para um árbitro internacional. Passou de 50 para 45 anos. Muita gente deixou o quadro e foi aberto um espaço para os árbitros mais novos". No ano seguinte, foi assistente no jogo das quartas-de-final da Copa do Brasil, um Corinthians x Paraná, com Dacildo Mourão no comando.

Aristeu está no quadro da Fifa desde 1998 e de lá para cá foi assistente em inúmeros jogos decisivos. Fez o jogo de ida da final da Copa Mercosul entre Palmeiras e Cruzeiro em 98, foi assistente na decisão do Campeonato Brasileiro (Atlético Mineiro x Corinthians) e na final do Campeonato Equatoriano (Emelec x Barcelona de Guayaquil) em 99 e fez o jogo de ida da final da Copa Libertadores, Cruz Azul x Boca Júniors, na Cidade do México e os dois jogos das finais da Copa do Brasil entre Corinthians e Grêmio em 2001.


Concentrado na jogada

Em 2002 esteve nas finais da Copa do Brasil (Brasiliense x Corinthians) e do Campeonato Brasileiro (Santos x Corinthians). Para fechar o ano, mais uma final do Campeonato Equatoriano (Barcelona de Guayaquil x Universidad de Quito). Foi nesse ano que Aristeu fez um jogo que guarda com carinho até hoje. "Na final do Brasileirão 2002 fui mais acionado que o árbitro e não errei nenhum lance. Foi o melhor jogo da minha vida", relembra. Em 2004, destaque para sua participação na final da Copa Sul Americana (Bolívar x Boca Júniors).

Aristeu também foi assistente em várias decisões de Campeonatos Estaduais, a saber: Campeonato Mineiro (Cruzeiro x Atlético, em 1998), Campeonato Alagoano (CSA x CRB, em 1998 e ASA x Coruripe, em 2005), Campeonato Paranaense (Coritiba x Paraná, em 1998), Campeonato Paulista (São Paulo x Corinthians, em 1999), Campeonato Carioca (Flamengo x Vasco, em 2000; Flamengo x Vasco, em 2004 e Fluminense x Volta Redonda, em 2005), Campeonato Paraense (Payssandu x Castanhal, em 2000) e Campeonato Sergipano (Confiança x Sergipe, em 2001).

CAMPEONATOS INTERNACIONAIS
Aristeu participou das seguintes competições: Campeonato Sul Americano Sub-20 no Equador em 2001, Mundial Sub-20 nos Emirados Árabes Unidos em 2003 e Copa América no Peru em 2004.

Seus três jogos de maior importância foram as partidas válidas pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2002. "É sabido que jogo de Eliminatória, às vezes, é mais difícil que o de Copa", salientou. A partida Jamaica 1 x 1 Honduras, com Simon, marcou sua carreira internacional. "Foi a primeira vez que saí da América do Sul", relembra.

Em seguida seu vôo foi mais longe. Foi até a Ásia fazer um jogo histórico, Arábia Saudita 1 x 1 Irã. "Simon, eu , Ednilson Corona e Álvaro Quelhas formamos o primeiro quarteto americano a trabalhar no continente asiático em jogo de eliminatória para Copa do Mundo". Um mês mais tarde, Aristeu foi pioneiro mais uma vez, no jogo Irlanda 2 x 0 Irã. "Antônio Pereira, Jorge Paulo, eu e Paulo Cesar fomos o primeiro quarteto brasileiro a fazer Eliminatórias na Europa".


Correndo com o penúltimo defensor

Quando perguntado sobre seus jogos inesquecíveis, Aristeu aponta dois. Cruz Azul x Boca Júniors e Irlanda x Irã. "Apesar do primeiro ter sido uma partida muito difícil, o jogo foi fantástico". Neste jogo o quarteto foi Márcio Rezende, Jorge Paulo, Aristeu e Wagner Tardelli. "O segundo também foi inesquecível, pois decidiu quem iria à Copa do Mundo".

Para manter seu alto nível de condicionamento físico, Aristeu treina sob o olhar atento do professor Ivanir, na Academia Bradesco. "Treino 2 horas por dia, 6 dias por semana. O Ivanir faz um treinamento específico comigo e seu incentivo é fundamental", revela Aristei, que gosta de treinar sozinho.

Em 2005, a Fifa mudou a forma de aplicação dos testes físicos aplicados aos árbitros internacionais relacionados para as competições mundiais. "O novo teste é muito mais exigente", garante. Mas em seguida, solta a dica. "Você tem que pegar a passada", ensina. (As Federações Estaduais e a CBF não foram obrigadas a mudar e mantiveram o procedimento antigo).


Oficiais da assessoria de comunicação da PMRJ

Quando não está trabalhando, Aristeu gosta de jogar tênis e ler livros sobre História. "Acabei de ler dois: Ditadura Escancarada, de Hélio Gáspari e História Crítica da Humanidade, de Hélio Jaguaribe". Ele gosta tanto do assunto que pretende fazer uma nova graduação. "Daqui a 5 anos encerro minha carreira na Polícia Militar e poderei me dedicar à Faculdade de História", emenda.

Como falta algum tempo para Aristeu pendurar a bandeira, ele comenta as coisas boas que a arbitragem vem lhe proporcionando, como as ótimas viagens. "Conheci muitos países e outras culturas".

Graças à arbitragem, Aristeu também fez grandes amigos. "Minha referência como assistente sempre foi Jorge Paulo Gomes. Ele se posiciona muito bem". Além de ídolo, Jorge Paulo é amigo de Aristeu. "Gosto muito do Jorge e fiquei muito contente com a ida dele para a Copa do Mundo de 2002. Fui a primeira pessoa a ligar para parabenizá-lo", orgulha-se.

OS MELHORES DE 2005
Indicado pelo site Cartão Vermelho como um dos dez melhores árbitros asssitentes brasileiros do ano passado, Aristeu foi eleito melhor assistente da temporada através de enquete popular. Parabéns!

Aristeu tem outros amigos. "Admiro Wagner Tardelli e Jorge Rabello. Léo Feldman é um cara super amigo e sempre me tratou com muito profissionalismo. Dos novos, acho que Willian Nery, Wagner Rosa, Djalma Beltrami e Luis Antônio Silva Santos têm potencial". Dos assistentes cita Hilton Moutinho e Peniche como amigos e grandes profissionais.

Fora do Rio Aristeu também fez uma ótima amizade. "Antônio Pereira apita muito! Gosto muito dele, pela sua simplicidade". Aristeu lembra que sua melhor atuação como assistente foi justamente no último jogo de Antônio Pereira, que é de Goiânia e tinha o escudo da FIFA. "Na final do Brasileirão de 2002, entre Santos e Corinthians, eu marquei tudo certinho e deixei correr um lance muito difícil, que foi alvo de muitos elogios", diz orgulhoso.


Trio brasileiro rumo à Copa 2006

Aristeu está em ótima fase. Foi eleito como o melhor assistente da temporada 2005 pelos internautas do Cartão Vermelho e está muito cotado para ir à próxima Copa do Mundo, na Alemanha. "Fui pré-selecionado e estou super contente, mas com os pés nos chão", afirma. E a boa fase extrapola as linhas do campo de futebol. "Vivo um ótimo momento como oficial da PM e estou muito bem com minha família. É o melhor momento da minha vida!", conta, com muita empolgação e confiança.

O ano de 2005 foi especialmente bom para ele. Por tanta dedicação ao trabalho, Aristeu também foi homenageado com duas importantes condecorações. A Medalha Tiradentes, concedida pela Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, e a Medalha Pedro Ernesto, concedida pela Câmara Municipal do Município do Rio de Janeiro. "Foi com muito orgulho que recebi estas duas condecorações".

Com toda sua experiência, Aristeu passa uma mensagem aos jovens talentos. "O funil é muito apertado, mas isso não deve ser motivo de desestímulo e sim, de superação", ensina.

***


Por Christian Ducharme. Colaborou: Maurício Lopes.
Entrevista realizada em 2003. Última atualização: Fevereiro/2006.

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